Considerado um dos mangás shoujo mais conhecidos da atualidade, Akatsuki no Yona é uma narrativa escrita e ilustrada pela mangaká Mizuho Kusanagi. A história gira em torno de Yona, uma princesa que vive uma vida luxuosa e despreocupada, mas vê seu mundo virar de cabeça pra baixo quando seu primo Su-won assassina seu amado pai bem diante dos seus olhos. Em choque e apavorada, Yona foge do castelo com seu amigo de infância e guarda pessoal Son Hak, dando início a uma vida de desafios e descobertas para a jovem princesa.
Em publicação no Japão desde 2009, Akatsuki no Yona vem sendo editado no Brasil pela JBC no formato big (dois volumes em um) sob título Yona, A Princesa do Alvorecer, com tradução de Cristhielle Ogura. A edição brasileira já conta com cinco volumes publicados e hoje falaremos um pouco sobre o desenvolvimento da história nos volumes 2 e 3.
O volume 1 de Yona é muito competente em apresentar as personagens e a ambientação do reino de Kouka, bem como em demonstrar o tom que a narrativa pretende ter. A relação Yona, Hak e Su-won é talvez o ponto alto do volume que não hesita em demonstrar de que maneira a relação de amizade que o trio partilhou durante toda a vida continua a impactar as três personagens, apesar das atitudes de Su-won e dos caminhos opostos seguidos por essas três pessoas — uma resenha mais detalhada do volume 1 foi publicada por aqui anteriormente.
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Imagem: Reprodução/Hakusensha
Entretanto, é nos volumes 2 e 3 que a história de Yona começa a tomar mais forma. Novos personagens são apresentados e a determinação da protagonista em relação a quem ela quer ser e qual caminho ela deseja seguir fazem o leitor não apenas desenvolver um maior apego pela personagem, mas também torcer de forma cada vez mais genuína por ela.
No início do volume 2, Yona e Hak são resgatados pelo sábio Ik-su e seu companheiro Yun. É a partir das palavras desse vidente que Yona decide qual caminho trilhar: ela vai reunir os guerreiros herdeiros do sangue dos quatro dragões lendários que serviam ao Rei Dragão Escarlate, primeiro soberano de Kouka, e pedir seus poderes emprestados para reaver o seu reino.
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Imagem: Reprodução/Hakusensha
A partir daí, Yona, Hak e Yun — que se junta à dupla por recomendação do próprio sábio Ik-su — saem numa jornada a fim de encontrar os quatro guerreiros dragões. Enquanto viajam, a princesa se vê pela primeira vez diante da real situação do reino de Kouka e percebe que o mundo de paz que seu pai tanto pregava e prezava não é uma realidade. Fome, miséria, tráfico humano… Existem regiões do reino completamente abandonadas à própria sorte há décadas, durante as quais o soberano é o pai de Yona.
As cenas em que a Yona vai percebendo que a paz que o rei Il protegia não é real são bastante sofridas, por assim dizer. Elas são dolorosas porque a Yona se vê em contato com opiniões a respeito do pai dela que ela nunca tinha sequer pensado que existia, ao mesmo tempo em que percebe que viveu a vida toda no castelo e que um dia seria soberana de um reino sobre o qual ela não sabe nada. Durante toda a sua vida, ela não tinha a menor ideia da real situação do reino. Tudo que sabia é que seu pai a disse para nunca encostar numa arma, que ele não gostava de armas e que o pai era visto como um tolo por se apresentar como um pacifista. Porém, o rei Il é o pai da Yona, é o único parente que ela tinha e ela percebe que não há ninguém exceto ela e o Hak que lamentem pela morte dele. Além disso, tudo o que restou da antiga Yona são os laços dela com o pai. Mesmo que a postura do rei Il seja revoltante, não deixa de ser um pouco triste.
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Páginas de história. | Foto: Rafael Brito/JBox
Uma das coisas mais interessantes e cativantes de Akatsuki no Yona é a própria Yona. Parece algo meio óbvio, mas na verdade é um certo feito, porque não é incomum que em histórias longas a personagem que protagoniza se torne uma das menos interessantes. Entretanto, a Yona é um ponto que está sempre ali em evidência. Kusanagi não consegue apenas fazer você se importar com a Yona, ela consegue fazer você querer ver até onde a Yona pode chegar.
Nos volumes 2 e 3 a determinação de Yona vai ficando cada vez mais forte. Ela decide que quer se tornar mais forte. Ela não vai ser só a Yona ingênua que vivia no castelo, ela vai ser alguém capaz de tomar suas próprias decisões e de caminhar em direção a um amanhã. Apesar de seu pai tê-la aconselhado a nunca encostar numa arma, ela decide aprender arco e flecha. Primeiro para proteger a si mesma, depois para proteger o Hak e, por fim, para proteger todos os companheiros que vão se unindo a ela em sua jornada.
Assim como a Kagome no início de InuYasha (obra de Rumiko Takahashi), Yona não é nada habilidosa com o arco a princípio. Entretanto, o treino com o arco é apenas a representação palpável e bélica do desejo de força da Yona. A verdadeira força dela está na coragem que ela constrói pouco a pouco. Uma coragem que não é ausência de medo ou de fraqueza, mas um desejo genuíno de fazer o que ela acredita ser certo, de encarar seus inimigos de frente.
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Imagem: Reprodução/Hakusensha
O modo como Mizuho Kusanagi decide mostrar esse lado da Yona é sempre muito bonito. Ela é desenhada não só como bela e delicada, mas com um olhar determinado, afiado, às vezes até meio frio. Existe raiva, até mesmo ódio no olhar dela. É como se ela estivesse em chamas, como se a aura dela pudesse queimar. E essas páginas são sempre muito bonitas.
Na verdade, a arte da Kusanagi é bonita de forma geral. Não só as personagens são bonitas em si — ela realmente gosta de desenhar meninos e meninas bonitas —, mas a composição das cenas tende a ser bela também, principalmente as cenas de impacto. Quando algum dos dragões guerreiros encontra a Yona a primeira vez, a cena costuma seguir uma espécie de “padrão”. É uma atração mística, uma sensação de encontro predestinado, na qual a parte do corpo que carrega o poder do dragão em questão queima ou lateja. Mesmo assim, apesar dessa parte ser sempre um pouco parecida, as expressões faciais deles dão um toque específico que faz tudo ser muito parecido, mas nunca a mesma coisa.
Além disso, a mangaká é bastante habilidosa no que diz respeito à construção do carisma de suas personagens. A “trupe da Yona” — que cresce lentamente e ao final do volume 3 é composta por Hak, Yun, o dragão branco Ki-ja e o dragão azul Shin-ah — é muito carismática e funciona muito bem como um grupo. As interações entre eles são divertidas, ao mesmo tempo que alguns deles desenvolvem laços um pouco mais profundos.
Yona e Yun, o — como ele mesmo gosta de lembrar a todo momento — belo menino gênio, desenvolvem uma amizade muito sincera. Ele é um garoto sensível no meio de um bando de homens guerreiros e, embora seja meio tsundere e pareça fazer as coisas de má vontade, Yun realmente se importa com a Yona e até mesmo com os outros meninos que ele constantemente chama de burros.
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Páginas de história. | Foto: Rafael Brito/JBox
A relação de amigos e rivais do Hak e do Ki-ja cria sempre um bom escape cômico. O Ki-ja foi criado pelos moradores da vila dele a pão de ló. Para eles, a pessoa que carregasse o sangue do Dragão Branco era merecedora de honrarias. Isso acaba tornando-o às vezes meio menino rico descolado da realidade, mas por algum motivo ele não é desagradável. É meio cômico.
A adição de Shin-ah e seu leal esquilo, Ao, não quebram o equilíbrio que havia no grupo, mas só tornam a jornada mais divertida. Por mais séria que esteja a história, sempre vão haver alguns momentos de respiro proporcionados pela dinâmica do grupo que acompanha a Yona e é divertido toda vez.
Os volumes 2 e 3 conseguem dar conta de entregar um objetivo concreto pra Yona, um caminho a seguir tirando da situação de confusão instaurada pela morte de seu pai no volume 1. A inserção de novas personagens e futuros companheiros exploram a capacidade de Mizuho Kusanagi de criar diferentes dinâmicas de relacionamento e colocam Hak e Yona em novas situações e aventuras. Junto a tudo isso, Kusanagi continua a desenvolver a protagonista, tornando-a cada vez mais interessante e a desvelar lentamente as contradições da figura do rei Il deixando o leitor ansioso para a continuação da jornada de Yona.
Galeria de fotos
Confira no álbum abaixo alguns registros da edição nacional do 3º volume de Yona: A Princesa do Alvorecer pela Editora JBC:
Volume 3
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Essa resenha foi feita com base nas edições cedidas como material de divulgação para a imprensa pela editora JBC.
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